domingo, 31 de julho de 2011

Incômodos


Náusea do mundo... Não deve ser normal essa sensação de disforme, de não cabimento confortável, de não pertencimento, de sobra, de resto, de nada... Eu me sinto muito assim às vezes, bem descabido, escavado, esburacado, varrido, devassado. Parece que eu me vejo de fora, percebendo-me ninguém, fraco, sem sangue nem tripas, sem cor nem calor. Por isso que não deve ser normal... Só por isso. Porque é sempre tudo estranhíssimo.
Hoje eu acordei com saudade, pra variar. De mim, de escolhas que não fiz, em tempos que não existiram. O mundo dá mesmo tantas voltas que faz a gente tonto, querendo descer rápido pra pegar algodão-doce e esquecer o perigo e acalmar o peito arfante e sair de uma vez por todas da vista dos que te olham com olhos de análise e esquecer e lembrar e dormir e acordar no dia seguinte sem dores, sem trauma, sem silêncios devastadores – ou com eles, desde que reconstrutores.
Eu cansei de tentar entender tudo. Mesmo me concentrando no pouco, ainda assim não entendo. Despercebidos passam os entendimentos, lá se vai a compreensão das coisas, longe corre o rio do saber o porquê. E sigo esperando. Alguém me convença de que a vida não é um eterno esperar sem querer e um querer eterno de esperança.
Quero só que as coisas fiquem mais amenas. Espero impaciente que a poeira baixe. Porque viver em estado normal já dói o bastante – o que dizer então quando se vive com esse enorme vazio cheio...

sábado, 23 de abril de 2011

Certezas (???)


Eu não estou mentindo. Há muito tempo estou tentando me sentar na frente do computador para escrever aqui. Abril já entrando em sua reta final, meu último post em dezembro, eu querendo falar sobre tanta coisa... Isso me deprime um pouco – mas também não precisamos exagerar. Muita coisa tem acontecido e isso com certeza justifica o “retiro”. Escrever aqui é bom, mas se virar obrigação fica, no mínimo, estranho. Então, vou tentar deixar fluir mais. E talvez seja este um bom momento.
E neste momento uma vontade enorme de repensar me preenche. E isso não acontece sem um tanto de estranhamento. E quando a gente começa a se estranhar, tudo fica mais complexo. De repente, não se vê sentido em algumas coisas e passa-se a se questionar sobre decisões, posturas, atitudes... Acho que isso aconteceu agora com uma intensidade maior do que antes, tangenciando algumas coisas que estavam de certa forma postas em minha vida, resvalando em situações e contribuindo para modificá-las, defini-las. Repensar é bom, mas sempre dói. Dói porque mudanças doem, mexem com algo bem dentro de nós. Certeza absoluta de tudo nunca foi o meu forte, mas há momentos em que se tem uma consciência mais forte de como as coisas têm de ser. E acho que as decisões nascem bem nesses momentos. Elas podem ser boas, ruins, neutras... Impossível prever o resultado de uma decisão, mas são elas que determinam certos rumos que, de repente, redefinem nossa vida.
Eu tenho muita saudade de um tempo em que não me consumia com certos pensamentos. Mas esse tempo foi há muito tempo. Talvez tenha acabado quando me vi adolescente, já definindo coisas em mim, decidindo o que faria de mim mesmo. Sinto falta da falta de responsabilidades e obrigações (principalmente para com os outros). Mas lamentar isso é inútil. Só serve para me fazer me consumir ainda mais com pensamentos inúteis.
Úteis ou inúteis eles estão presentes. E me consomem. Os pensamentos... Os repensamentos... Tudo assim um tanto desconexo, mas que me faz, ainda assim, ter certas certezas. Eu estava morrendo de saudade de me permitir repensar. Sem culpa.