
Recebi um telefone hoje de manhã. Era meu irmão me ligando. Com uma voz embargada, me disse que estava deixando o hospital e indo para casa. Ele havia acabado de receber alta e me ligou pra comunicar. E chorou ao falar comigo. Eu agradeci a Deus por estar recebendo aquele telefonema, já que dias antes eu temia receber a ligação de outra pessoa qualquer me dando notícias bem ruins sobre ele. Chorei muito por esses dias todos por conta disso...
De modo impressionante senti minha fé renovar-se mais do que nunca nas últimas semanas. Falo de fé independente de religião, de crença. Falo de uma fé numa força maior, criadora, a quem sempre me apeguei em momentos de maior apuro (infelizmente a gente só lembra ser uma pequenina peça da máquina do mundo nesses momentos). Uma fé que tem cara e nome diferentes pra cada pessoa – até para os que se dizem ateus. Não vi formas de suportar a dor – e ajudar minha família, mesmo a distância, a suportar a mesma dor que nos corroeu – a não ser pela força dessa fé. Queria que toda a minha energia e pensamento positivo chegassem até meu irmão.
Meus pensamentos chegaram a me trair, a me fazer imaginar coisas, coisas péssimas, sensações ruins, medos. Paranóias vinham e me tomavam conta da cabeça. Mas seja pela força dessa fé ou não, tudo está em paz agora. E me pergunto: qual o balanço disso tudo? O que tiro de bom dessa terrível experiência?
Acho que o maior valor que venho tentando dar a minha vida e às pessoas que fazem parte dela é a melhor resposta a essas perguntas. E como cada vez mais acredito na força das energias boas que circulam no universo, só posso desejar que elas estejam sempre presentes no existir de cada ser que faz por merecê-las.